"Então aconteceu"
sábado, 10 de março de 2012
Meu divã-blog
Well, faz tempo que nao ando por aqui BLOQGUINHO QUERIDO. Nem é por falta de tempo e sim pra dar um tempo. Comigo é assim meu amor: Amo , odeio, me alimento depois enjoo....Fico um tempo sem dar as "caras" depois volto. Amo escrever mas ás vezes canso, me desgasto. Fico no anonimato e depois volto. Devagar e aos poucos mas volto.
È engraçado você, BLOG, é como se fosse gente. Converso, debato, exponho idéias, sentimentos e impressões como se fosse mudar o mundo e você me responde. Retorno ao mundo concreto com o "dever" cumprido. Em alguns momentos, você se faz de bandeira da justiça onde conversamos sobre supostas injustiças e, me sinto mais digna mais humana e mais cidadão. Depois volto também para o mundo real. Outras vezes você é um terapeuta de óculos que me olha na alma e eu, como que deitada em um divã, vou descrevendo o "black size" da minha alma e espírito. As vezes você é meu namorado secreto. Amo de paixão, escrevo todas impressões do meu mundo do meu coração e da minha razão. Não consigo ficar um só dia sem vê-lo depois a paixão acaba e também volto ao mundo dos deveres.
Você já me disse e concordo, eu não suporto rotinas. Não gosto do mesmo todas as horas. Já me falaram que isto é o meu defeito, "o de não conseguir ficar sem adrenalina, seguir um caminho reto e pra frente, não criar raízes" . Eu já acho o contrário. Mergulho de cabeça no "MOMENTO" que estou vivendo, crio raízes e elas me abraçam sempre. Me dôu em segredo para os momentos com intensidade e paixão. Posso nao sair falando aos quatro cantos do mundo mas o momento sempre é itenso e crio nestes momentos uma rotina de comportamentos e crenças. A única diferença é que mantenha a porta aberta da "opção". Depois de um tempo, meus ossos começam a querer andar, meu coração bate de outro ritmo , meu cerébro se aquece e cria um turbilhao de adrenalina e assim a "OPÇÂO POR UMA NOVA ETAPA" ganha força e um novo mundo se abre, mas levo comigo algumas raízes que já tinham entrada na minha alma e me feito uma MUTAÇÂO. E com isso vou mudando. Foi assim quando casei pela primeira vez aos 21 anos, quando me formei em Letras, quando optei em falar outra lingua além do português, quando fiz teatro, itercambio, MBA, quando me separei aos 30 anos, quando vivi minha solteirisse intensamente ,quando morei sozinha,quando trabalhei em bancos, quando abri meu coração para ter uma visão espiritual sobre a " TRINDADE" como energia para minha vida, quando me casei novamente aos 34 anos, quando passei de filha para mãe quando resolvi ficar mais próxima de meus pais. Minha vida anda e com ela vou mudando sempre. Não acho, meu BLOGUINHO QUERIDO, que em cada momento que vivo estou "CERTA" pois peguei aversão a pensamentos regrados em regime de exclusão.." se vc nao pensa assim vc é errado, ou isso te aconteu porque vc fez isso ou aquilo" Nao tolero esse pensamento seletivo de que o meu é o certo, mesmo que em alguns momentos em haja desta fora! BINGO... Talvez aos poucos, com o passar dos anos estou percebendo uma certa continuidade dentro de mim, uma certa rotina, uma reta que continua ao infinito que é " O fato de saber que nao sei de nada e que em muitas coisas nao tive culpa, é a minha energia, o meu "MOTIVE" de vida, o meu respirar, o meu tempero que me faz assim!!! SORRY, por ter magoado pessoas que amei, amigos que foram importantes, crenças que me formaram, mas o meu SER é assim!!!! Pelo menos até agora.rsrsrsrsrsrs
BY the way.... Hello meu BLOG....tá afim de um retorno...CALMA>>aos poucos sem grandes melaçõesssss hein!
bjssssssssssssssssssssssssss
DNA
È engraçado você, BLOG, é como se fosse gente. Converso, debato, exponho idéias, sentimentos e impressões como se fosse mudar o mundo e você me responde. Retorno ao mundo concreto com o "dever" cumprido. Em alguns momentos, você se faz de bandeira da justiça onde conversamos sobre supostas injustiças e, me sinto mais digna mais humana e mais cidadão. Depois volto também para o mundo real. Outras vezes você é um terapeuta de óculos que me olha na alma e eu, como que deitada em um divã, vou descrevendo o "black size" da minha alma e espírito. As vezes você é meu namorado secreto. Amo de paixão, escrevo todas impressões do meu mundo do meu coração e da minha razão. Não consigo ficar um só dia sem vê-lo depois a paixão acaba e também volto ao mundo dos deveres.
Você já me disse e concordo, eu não suporto rotinas. Não gosto do mesmo todas as horas. Já me falaram que isto é o meu defeito, "o de não conseguir ficar sem adrenalina, seguir um caminho reto e pra frente, não criar raízes" . Eu já acho o contrário. Mergulho de cabeça no "MOMENTO" que estou vivendo, crio raízes e elas me abraçam sempre. Me dôu em segredo para os momentos com intensidade e paixão. Posso nao sair falando aos quatro cantos do mundo mas o momento sempre é itenso e crio nestes momentos uma rotina de comportamentos e crenças. A única diferença é que mantenha a porta aberta da "opção". Depois de um tempo, meus ossos começam a querer andar, meu coração bate de outro ritmo , meu cerébro se aquece e cria um turbilhao de adrenalina e assim a "OPÇÂO POR UMA NOVA ETAPA" ganha força e um novo mundo se abre, mas levo comigo algumas raízes que já tinham entrada na minha alma e me feito uma MUTAÇÂO. E com isso vou mudando. Foi assim quando casei pela primeira vez aos 21 anos, quando me formei em Letras, quando optei em falar outra lingua além do português, quando fiz teatro, itercambio, MBA, quando me separei aos 30 anos, quando vivi minha solteirisse intensamente ,quando morei sozinha,quando trabalhei em bancos, quando abri meu coração para ter uma visão espiritual sobre a " TRINDADE" como energia para minha vida, quando me casei novamente aos 34 anos, quando passei de filha para mãe quando resolvi ficar mais próxima de meus pais. Minha vida anda e com ela vou mudando sempre. Não acho, meu BLOGUINHO QUERIDO, que em cada momento que vivo estou "CERTA" pois peguei aversão a pensamentos regrados em regime de exclusão.." se vc nao pensa assim vc é errado, ou isso te aconteu porque vc fez isso ou aquilo" Nao tolero esse pensamento seletivo de que o meu é o certo, mesmo que em alguns momentos em haja desta fora! BINGO... Talvez aos poucos, com o passar dos anos estou percebendo uma certa continuidade dentro de mim, uma certa rotina, uma reta que continua ao infinito que é " O fato de saber que nao sei de nada e que em muitas coisas nao tive culpa, é a minha energia, o meu "MOTIVE" de vida, o meu respirar, o meu tempero que me faz assim!!! SORRY, por ter magoado pessoas que amei, amigos que foram importantes, crenças que me formaram, mas o meu SER é assim!!!! Pelo menos até agora.rsrsrsrsrsrs
BY the way.... Hello meu BLOG....tá afim de um retorno...CALMA>>aos poucos sem grandes melaçõesssss hein!
bjssssssssssssssssssssssssss
DNA
terça-feira, 2 de agosto de 2011
Os primos e os filhos



Well..as férias acabaram. Nessas férias minha irmã Denise, que mora nos EUA ha 20 anos, veio aqui com os filhos. A festa foi geral com todos os netos na casa dos meus país. Deu pra ver no rosto dos meus pais uma sensação de dever cumprido....engraçado ver por esta perspectiva....a geração "Nascimento do Amaral" dos meus pais continua e, foi essa sensação de perpetuidade que eles esboçaram em seus rostos ao virem todos juntos : pais, filhos e netos!!!!
quinta-feira, 28 de julho de 2011
Dinheiro com Gosto de Sangue
Ando pensando muito sobre segurança no Trabalho....efeito de SIPATS da vida!!!!!! Sendo assim o GRANDE "Èrico Veríssimo" já traduziu ha muito tempo o que minha mente me atormenta.....
DINHEIRO COM GOSTO DE SANGUE
Érico Verissimo
Atravessou o pátio interno da fábrica. Os grandes pavilhões de concreto pareciam estremecer ao ritmo das máquinas. Eugênio ouviu aquela pulsação surda que lhe sugeria o bater dum enorme coração subterrâneo. Ela lhe dava uma vaga angústia, causava-lhe um indefinível temor: dir-se-ia a aflição dum homem que sente no subsolo o agitar-se duma subumanidade que trabalha com silêncio seus propósitos de destruição. O atroar das máquinas era um ruído ameaçador.
O escritório lhe pareceu mais frio e convencional que nos outros dias. Sentou-se à mesa, abriu uma das gavetas, remexeu nos papéis... Não encontrando os que procurava, chamou a secretária, uma rapariga magra de ar cansado.
– Boa tarde, D. Ilsa. Alguém me procurou?
– Não senhor, ninguém.
– Onde estão aquelas folhas que vão para o Ministério do Trabalho?
– Na gaveta do centro.
Tornou a abrir a gaveta e encontrou os papéis.
– Tem razão, cá estão eles.
Pô-los em cima da mesa, tomou da caneta.
– A senhora anda muito pálida e com jeito de cansada. Por que não tira umas férias?
Assinava os papéis automaticamente, sem revisá-los.
Sentia agora um interesse fraternal pela secretária. A criatura tinha um jeito encolhido de passarito doente.
– E a dor nas costas... ainda não passou?
– Às vezes, quando me deito, ela vem.
– Deve ser da posição em que fica quando escreve à máquina. Precisa cuidar-se, D. Jisa.
A moça sorria, meio constrangida.
Eugênio se perguntava a si mesmo o que era que de repente o fazia assim tão solícito, tão atencioso, como um irmão mais velho. concluiu que era porque tinha pena da moça: pena de todos os que sofriam. Por um breve instante se sentiu reconciliado consigo mesmo. Entretanto seu eu puro e implacável lhe cochichou que se ele se demonstrava assim fraternal para com a secretária e para com os outros empregados da fábrica era para com essa atitude comprar a cumplicidade, a boa vontade e a simpatia deles. Porque todos ou quase todos sabiam da sua situação de inferioridade naquela firma. Não passava dum manequim, dum autômato que assinava papéis preparados pelos que realmente entendiam do negócio, pelos que trabalhavam de verdade mas que no entanto, em questões de ordenado, se achavam muito abaixo dele. Aquela gente sabia que ele ali era apenas o marido da filha do patrão. E, mostrando-se benevolente e atencioso, ele como que procurava comprar-lhes pelo menos a tolerância, já que a simpatia não era possível.
Escreveu o nome com raiva, a pena rasgou o papel, um pingo de tinta saltou e espalhou-se no centro da folha. A secretária avançou com a prensa de mata-borrão.
– Obrigado.
O telefone tilintou. Eugênio levantou o fone ao ouvido.
– Alô! Aqui fala Eugênio. (Tinha escrúpulos de dizer “doutor” Eugênio, podia parecer um acinte aos que não eram formados, ou uma exibição vaidosa) – Quem?... ah!...
Ficou escutando em silêncio, enquanto seu rosto se enevoava numa expressão de contrariedade.
Repôs o fone no lugar e ergueu-se. No pavilhão no 3, o chefe das máquinas o esperava. Tinha apanhado um de seus homens a escrever imoralidades numa das paredes do lavatório. Queria que Eugênio visse com seus próprios olhos. Tratava-se dum operário chamado Galvez, que já estivera preso como agitador comunista: Era um sujeito perigoso – garantia o chefe das máquinas –, um tormento de desordem.
Eugênio encaminhou-se para o pavilhão no 3. Ia contrariado. Tinha horror a questões daquela natureza, era-lhe desagradável tratar com o pessoal da fábrica, resolver pendências, dar conselhos, aplicar sanções... Seria mil vezes melhor viver longe de todas aquelas coisas!
– Galvez é um patife! – disse o homem com os lábios apertados. – Venha ver.
Seu rosto era uma máscara de pedra.
– Onde está ele?
Entrou. Deu três passos sobre o chão de cimento do pavilhão. E, como ao sinal dum invisível e cruel contra-regra que estivesse apenas esperando a sua entrada em cena, algo de pavoroso aconteceu.
– Galvez! – berrou o alemão.
Sua voz, que tinha uma qualidade metálica, soou acima do surdo matraquear das máquinas. Eugênio olhou na direção em que o outro lançara o grito. E viu, horrorizado, que a polia grande de uma das máquinas naquele instante apanhava o corpo dum operário. Ouviu-se um grito agudo. O corpo rodopiou enrolado na polia e depois, como um boneco de pano, foi lançado ao ar, caindo longe no meio de outras máquinas. Houve um momento de atarantamento. De todos os lados partiam exclamações. O alemão precipitou- se para a tábua dos comutadores e puxou a chave geral. As máquinas pararam. O silêncio que se seguiu gelou o sangue de Eugênio. Os homens correram numa só direção. Trouxeram depois um corpo ensangüentado e o puseram aos pés de Eugênio, como se – deus cruel – ele tivesse pedido aquele sacrifício. Fazendo um enorme esforço para vencer o tremor das pernas, ele se inclinou. Não havia mais nada a fazer. O crânio do operário estava todo esfacelado, seu rosto absolutamente irreconhecível. O corpo perdera quase a forma humana. No chão ao redor do cadáver, se formava uma poça de sangue.
O pavor estrangulava aqueles homens, reduzindo-os ao silêncio. Os olhos do chefe das máquinas se conservaram frios e seu rosto era uma máscara inumana de pedra.
Quando tornou a sentar-se à sua mesa, Eugênio teve a impressão de que saíra dali não apenas havia vinte minutos mas sim vinte anos. Sentia-se mais velho, mais cansado e amargurado. Ficou com os cotovelos fincados na mesa, as mãos segurando o rosto, a olhar fixamente para o tinteiro. Do pátio interno chegava até ele, através das janelas, um rumor de vozes
– Mandem tocar de novo as máquinas – disse o gerente.– Não podemos ficar parados. Tempo é ouro.
Ouro... Por que era que os homens não se esqueciam nunca do ouro? Ouro lhe lembrava outra palavra: sangue. Tempo também era sangue. Ouro se fazia com sangue.
Trecho do livro Olhai os Lírios do Campo, Porto Alegre, Globo, 1981.
DINHEIRO COM GOSTO DE SANGUE
Érico Verissimo
Atravessou o pátio interno da fábrica. Os grandes pavilhões de concreto pareciam estremecer ao ritmo das máquinas. Eugênio ouviu aquela pulsação surda que lhe sugeria o bater dum enorme coração subterrâneo. Ela lhe dava uma vaga angústia, causava-lhe um indefinível temor: dir-se-ia a aflição dum homem que sente no subsolo o agitar-se duma subumanidade que trabalha com silêncio seus propósitos de destruição. O atroar das máquinas era um ruído ameaçador.
O escritório lhe pareceu mais frio e convencional que nos outros dias. Sentou-se à mesa, abriu uma das gavetas, remexeu nos papéis... Não encontrando os que procurava, chamou a secretária, uma rapariga magra de ar cansado.
– Boa tarde, D. Ilsa. Alguém me procurou?
– Não senhor, ninguém.
– Onde estão aquelas folhas que vão para o Ministério do Trabalho?
– Na gaveta do centro.
Tornou a abrir a gaveta e encontrou os papéis.
– Tem razão, cá estão eles.
Pô-los em cima da mesa, tomou da caneta.
– A senhora anda muito pálida e com jeito de cansada. Por que não tira umas férias?
Assinava os papéis automaticamente, sem revisá-los.
Sentia agora um interesse fraternal pela secretária. A criatura tinha um jeito encolhido de passarito doente.
– E a dor nas costas... ainda não passou?
– Às vezes, quando me deito, ela vem.
– Deve ser da posição em que fica quando escreve à máquina. Precisa cuidar-se, D. Jisa.
A moça sorria, meio constrangida.
Eugênio se perguntava a si mesmo o que era que de repente o fazia assim tão solícito, tão atencioso, como um irmão mais velho. concluiu que era porque tinha pena da moça: pena de todos os que sofriam. Por um breve instante se sentiu reconciliado consigo mesmo. Entretanto seu eu puro e implacável lhe cochichou que se ele se demonstrava assim fraternal para com a secretária e para com os outros empregados da fábrica era para com essa atitude comprar a cumplicidade, a boa vontade e a simpatia deles. Porque todos ou quase todos sabiam da sua situação de inferioridade naquela firma. Não passava dum manequim, dum autômato que assinava papéis preparados pelos que realmente entendiam do negócio, pelos que trabalhavam de verdade mas que no entanto, em questões de ordenado, se achavam muito abaixo dele. Aquela gente sabia que ele ali era apenas o marido da filha do patrão. E, mostrando-se benevolente e atencioso, ele como que procurava comprar-lhes pelo menos a tolerância, já que a simpatia não era possível.
Escreveu o nome com raiva, a pena rasgou o papel, um pingo de tinta saltou e espalhou-se no centro da folha. A secretária avançou com a prensa de mata-borrão.
– Obrigado.
O telefone tilintou. Eugênio levantou o fone ao ouvido.
– Alô! Aqui fala Eugênio. (Tinha escrúpulos de dizer “doutor” Eugênio, podia parecer um acinte aos que não eram formados, ou uma exibição vaidosa) – Quem?... ah!...
Ficou escutando em silêncio, enquanto seu rosto se enevoava numa expressão de contrariedade.
Repôs o fone no lugar e ergueu-se. No pavilhão no 3, o chefe das máquinas o esperava. Tinha apanhado um de seus homens a escrever imoralidades numa das paredes do lavatório. Queria que Eugênio visse com seus próprios olhos. Tratava-se dum operário chamado Galvez, que já estivera preso como agitador comunista: Era um sujeito perigoso – garantia o chefe das máquinas –, um tormento de desordem.
Eugênio encaminhou-se para o pavilhão no 3. Ia contrariado. Tinha horror a questões daquela natureza, era-lhe desagradável tratar com o pessoal da fábrica, resolver pendências, dar conselhos, aplicar sanções... Seria mil vezes melhor viver longe de todas aquelas coisas!
– Galvez é um patife! – disse o homem com os lábios apertados. – Venha ver.
Seu rosto era uma máscara de pedra.
– Onde está ele?
Entrou. Deu três passos sobre o chão de cimento do pavilhão. E, como ao sinal dum invisível e cruel contra-regra que estivesse apenas esperando a sua entrada em cena, algo de pavoroso aconteceu.
– Galvez! – berrou o alemão.
Sua voz, que tinha uma qualidade metálica, soou acima do surdo matraquear das máquinas. Eugênio olhou na direção em que o outro lançara o grito. E viu, horrorizado, que a polia grande de uma das máquinas naquele instante apanhava o corpo dum operário. Ouviu-se um grito agudo. O corpo rodopiou enrolado na polia e depois, como um boneco de pano, foi lançado ao ar, caindo longe no meio de outras máquinas. Houve um momento de atarantamento. De todos os lados partiam exclamações. O alemão precipitou- se para a tábua dos comutadores e puxou a chave geral. As máquinas pararam. O silêncio que se seguiu gelou o sangue de Eugênio. Os homens correram numa só direção. Trouxeram depois um corpo ensangüentado e o puseram aos pés de Eugênio, como se – deus cruel – ele tivesse pedido aquele sacrifício. Fazendo um enorme esforço para vencer o tremor das pernas, ele se inclinou. Não havia mais nada a fazer. O crânio do operário estava todo esfacelado, seu rosto absolutamente irreconhecível. O corpo perdera quase a forma humana. No chão ao redor do cadáver, se formava uma poça de sangue.
O pavor estrangulava aqueles homens, reduzindo-os ao silêncio. Os olhos do chefe das máquinas se conservaram frios e seu rosto era uma máscara inumana de pedra.
Quando tornou a sentar-se à sua mesa, Eugênio teve a impressão de que saíra dali não apenas havia vinte minutos mas sim vinte anos. Sentia-se mais velho, mais cansado e amargurado. Ficou com os cotovelos fincados na mesa, as mãos segurando o rosto, a olhar fixamente para o tinteiro. Do pátio interno chegava até ele, através das janelas, um rumor de vozes
– Mandem tocar de novo as máquinas – disse o gerente.– Não podemos ficar parados. Tempo é ouro.
Ouro... Por que era que os homens não se esqueciam nunca do ouro? Ouro lhe lembrava outra palavra: sangue. Tempo também era sangue. Ouro se fazia com sangue.
Trecho do livro Olhai os Lírios do Campo, Porto Alegre, Globo, 1981.
quinta-feira, 9 de junho de 2011
sexta-feira, 27 de maio de 2011
Ser chique

Ser chique
Hoje não está mais na moda ser chique. O momento é romper, quebrar com os conceitos estabelecidos. Em nome da liberdade de expressão, liberdade social, liberdade religiosa, liberdade familiar, liberdade jornalística rompe-se com o mais belo substantivo que o ser humano pode ter “A Educação" que pra mim é sinônimo de” Ser Chique". Que pena. Na minha visão, ser chique não tem nada haver com o dinheiro, status ou poder que alguém possa possuir. Ser chique está na gentileza, na delicadeza, no tratar com o outro, ou seja, está muito ligado a ser educado! Ser chique é observar, aprender e falar o necessário. Quem fala muito "dá bom dia pra cavalo" e não é levado a sério por pessoas que observam. Não suporto grosserias, palavrões, pessoas que falam muito alto e são aparecidas. Geralmente estes estilos estão ligados a insegurança e falta de respeito. Falar alto é costume e é sempre bom acionar o "crivo" que ele te dirá através da pessoa que está te ouvindo se o teu volume está exagerado. Tem dias que falo alto pela euforia ou nervosismo. Isso é terrível. Ser chique não é ser tímido é ser assertivo! Ser chique não é ser introvertido é não ser inoportuno. Ser chique não é ser triste é não vulcânico. Ser chique não é não gostar de piadas é antes observar o ambiente que irá contá-las. A expressão da alegria está intimamente ligada a ser chique, mas ser chique não pode ignorar o outro e querer reinar sozinho com desculpa de ser extrovertido e alegre. O respeito, o observar não te deixará ranzinza e nem triste e sim pleiteará uma justiça para que o SEU momento, o seu jeito, a sua resposta, a sua ação, a sua visão seja vista, compreendida, respeitada e muita, mas muitas vezes atendida pelo motivo de gerar credibilidade por você ser chique. Em suma, pra mim, ser chique é uma conquista é uma formação é um caráter e este não está muito em voga nos dias de hoje...
DNA
27-05-2011
Assinar:
Postagens (Atom)








